Ana Linheiro – Uma ilustre senhora da Natação

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No melhor momento da sua carreira como nadadora interrompe a sua atividade para se casar.

Dentro do meu baú de memórias, encontrei uma história muito engraçada e que merece ser contada para as jovens se aperceberem o que era a modalidade noutras épocas.

Esta senhora foi-me muito querida quando comecei a dar as minhas braçadas no Belenenses. Os seus conselhos e incentivos que me dava, nesta minha entrada na equipa do Belenenses.

Era de outras eras. Em tempos em que as mulheres que praticavam desporto, parecia audácia que se aceitava apenas por cinismo. Com complacência se encaravam as aventuras das poucas atletas que ousavam até que o desafio não fosse longe de mais. Foi isso que aconteceu a Ana Linheiro, a quem bastaram apenas três anos, de 1942 a 1945, para se tornar uma histórica nadadora da natação portuguesa.

Era muito jovem quando se começou a notar que tinha muito talento para o desporto, neste caso na natação, que na altura deixou muita gente de boquiaberta, com os seus progressos, porque eram constantes os seus êxitos natatórios na altura.

Em 1943 consagrou-se campeã regional na categoria de principiante, na prova de 66 metros costas. Participou nesta época em provas de águas abertas, porque era aqui que ganhava persistência e força para as provas de piscina. Na Travessia de Santa Iria, Mouchão, foi segunda absoluta, e foi vencedora na sua categoria da travessia de Paço de Arcos a Cascais.

Em 1944, bateu o recorde dos 400 livres com 7.32.5. Nos regionais, foi campeã nos 100 costas (recorde). Nos Nacionais consagrou-se campeã nos 200 costas, com uma marca que constitui recorde da categoria e absoluto. O mesmo aconteceu nos 200 livres com 3.32.00.

Na época de 1945, não havendo piscinas para treinar, ela não gostava muito de treinar nas águas das docas e no tanque dos Crocodilos, no Jardim Colonial, na Calçada do Galvão. Um tanque que por altura da Exposição do Mundo Português servia para exibição de crocodilos. Após o termo da exposição, serviu e muito bem para o Belenenses ter ali as suas escolas, a onde se ensinava a nadar gente dos bairros da Ajuda, Belém, Restelo…

Ela, às suas custas, ia treinar à piscina do Algés.

Nesta época venceu nos regionais 100 e 200 livres, 100 costas, todas com marcas que constituíram recordes da categoria e absolutos.

Nos nacionais, em Coimbra, tornou-se campeã nos 100 e 200 livres e 100 costas.

O seu pai, Joaquim Linheiro, era o único seccionista na altura da natação do Belenenses. Aconteceu que fez o término da carreira da filha, acabando na altura com todos os seus sonhos de uma linda carreira como nadadora de alto gabarito. Acabou com a prática da modalidade, devido ao casamento da sua filha.

Ana Linheiro, nos momentos que estávamos juntos, dizia sempre, “o meu abandono deve-se simplesmente por ter casado, mas fi-lo com máxima consciência do dever comprido”.

Abandonou, prematuramente, a natação, mas não abandonou seu bebé! De 1967 a 1990 marcou presença, quase sem interrupção, nas diversas direções, sendo igualmente diretora de Federação Portuguesa de Ginástica, entre 1968 a 1972. Foi seccionista da ginástica do Belenenses, da natação e outras modalidades. Foi responsável pelo Museu no Restelo… fez um trabalho que ficou a perpetuar para sempre na vida do Club Futebol Os Belenenses.

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