Cova da Piedade, pioneira em Portugal de natação para bebés

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Tirando das minhas memórias, esta iniciativa nasceu com a Revolução dos Cravos, em Portugal.

Foram bons momentos. Nesta altura, Portugal era o único país da Europa que não possuía uma piscina de dimensões olímpicas coberta e aquecida. Assistiu-se por quase todos os distritos o aparecimento de piscinas de 25 metros cobertas e aquecidas. Foi o que aconteceu na Cova da Piedade, com a renovação das instalações da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense, mais conhecida pela SFUAP.

Com a cobertura da piscina da piscina de 25 metros, nasceram outros espaços aquáticos, entre eles um tanque de 20×6 que está situado debaixo da piscina principal, que teve que ser preparada com todos os requisitos adequados para os bebés.

Mas, a ideia da natação para bebés nasceu de umas séries de reportagens pelo jornalista de A Bola sobre os países socialistas, com destaque para a República Democrata da Alemanha, onde destacava as enormes instalações e algumas adequadas para as aulas para bebés, com quadros eletrónicos que mediam as temperaturas da água e ambiente e o pH da água.

Os técnicos da SFUAP e o presidente Fernando Proença – faleceu recentemente – estavam entusiasmados com esta ideia, sabendo que era um trabalho piloto em Portugal e sabendo da competência da equipa técnica, gente credenciada pelo trabalho: Sarmento, professor da Associação da Universidade Técnica de Lisboa em Educação Física, e da professora Mira Montenegro, Educadora de Infância que já exercia há muito como Educadora em Escolas do Ministério Primário, na linha de adaptação de desenvolvimento no trabalho com crianças.

Foram eles os convidados para este projeto por mim e o meu filho Carlos.

Após dois anos, constituída muita experiência, foi quando se começou a manifestar pelo êxito esta iniciativa na Cova da Piedade.

Foi quando se badalou por todo o país este êxito, quando foi divulgado por toda a Comunicação Social. A Televisão deu imagens espetaculares, com os pais e mães a se deliciarem com os feitos dos seus mais queridos.

Foi quando muita gente se agarrou a este êxito e começou a fazer desta modalidade uma forma de a comercializar. Coloquem os bebés dentro de água a chapinhar. Foi quando se alertou que para ser um trabalho mais correto haveria que dar ensinamentos mais elucidativos na forma de lidar com os bebés e principalmente com os acompanhantes (pais). Os ensinamentos na SFUAP eram diferentes, em termos de rigor de metodologia de trabalho, aí sim é que é piloto.

As grandes preocupações dos responsáveis, principalmente pela iniciativa, levaram a que se pudesse divulgar de forma a outros técnicos aperfeiçoassem estas técnicas. Foi então comigo, na presidência da APTN, que se deu mais atenção a esta nova modalidade e passou a ser integrada em todos os congressos com técnico piloto da natação para bebés, Prof. Doutor Pedro Sarmento, o que me deixa deveras contente de no próximo congresso esteja integrado novamente uma ação sobre os bebés. Será altura para se agradecer ao professor e responsável pela natação para bebés como pioneiro em Portugal.

Queria aqui deixar um recado aos homens do nosso desporto. Se hoje se luta por uma maior descentralização e por uma capacidade de intervenção nas populações, nas escolas, nos centros de saúde e se rodeiam de pessoas preocupadas com o Desporto, colocamo-nos ao serviço do cidadão ao integrá-lo no seu dia a dia. Está encontrada a forma de ascender a uma forma saudável de estar na vida.

Esta semana tive dois amáveis convites para estar em dois eventos que muito se falou de desporto, no espólio do prof. Moniz Pereira, no Museu Nacional do Desporto, onde vi finalmente o meu livro de “memórias” enriquecer a estante literária da natação. No outro evento foi a convite do meu querido amigo e companheiro José Manuel Constantino, para estar presente no Dia Mundial da Mulher. Que feliz ideia do Comité Olímpico de Portugal de aproveitar para homenagear as mulheres, que foram cinco premiadas como investigadoras na área do desporto. Não estava a imaginar um ato desta natureza. Cinco foram as jovens, todas praticantes desportivas. Bem haja ao COP por este tão feliz acontecimento e muito agradeço por estar presente neste evento tão importante para os jovens de futuro cientistas do nosso desporto.

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