Formação e… integração de jogadores

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No último fim de semana estive a falar de polo aquático com pessoa experiente no meio e teremos chegado à conclusão que a modalidade em Portugal e nos tempos atuais se movimentava num (complexo) “sistema fechado”. O que poderá ser isto do “sistema (mais ou menos) fechado”?

Na nossa opinião subjetiva, e, face à observação de um jogo que considero bem demonstrativo (estive recentemente no Povoense-Fluvial em masculinos) pode-se verificar que os jogadores que definem o sete base das respetivas equipas continuam a ser os mesmos que já definiam a titularidade em anos anteriores nos principais momentos de decisão dos títulos/finais do polo aquático português, apenas representados noutras formações.  Significará, por outras palavras, que as equipas não se renovam, que a formação não tem trazido jogadores novos e com qualidade para se imporem ou que eventualmente não existirão políticas desportivas de renovação e proteção dos novos e futuros jogadores, também por parte da generalidade dos clubes e treinadores.

Obviamente que o conceito será difícil de entender e até de aplicar. E, se estes jogadores mais velhos ainda conseguem jogar é porque a conjuntura lhes permite (clubes, treinadores, falta de nível dos mais jovens em qualidade e sobretudo quantidade e eventualmente o tal sistema fechado). Não temos a certeza destas conclusões, mas temos a certeza que o polo aquático nacional precisará de algo diferente para continuar o seu progresso e evolução que todos desejarão. Faça-se aqui um parêntesis porque não tenho nada contra os jogadores mais velhos (ainda) jogarem, mas penso que haverá também algo que não baterá certo.

Formar novos jogadores é sempre muito difícil. No polo aquático ainda mais. Implica bons conhecimentos do treinador, muita aplicação no treino e a escolha dos exercícios e métodos aplicados deverá ter em atenção a etapa atual de desenvolvimento dos atletas. A partir daqui é que fica ainda mais complicado. Os atletas serão depois integrados (ou não) nas respetivas equipas (seniores) que vão estar nas principais decisões. E se formar é uma grande etapa e com muitos degraus, integrar ainda é mais. E sair do tal circuito fechado será por exemplo, que os atletas mais velhos percebam a importância da renovação dos quadros da equipa e permitam (também em treino) que os novos elementos treinem em conformidade (possam também agarrar, tentar rematar e marcar golos, serem combativos e agressivos). Se tal não acontecer, muito dificilmente o novo jogador vai conseguir fazer algo mais no jogo. Quando entrar vai estar condicionado e não conseguirá mostrar grande coisa. Normalmente entra com o jogo feito e já desequilibrado, condições que nunca o farão evoluir.

Terão aqui os treinadores uma importante batalha para travar, proporcionando o necessário equilíbrio dos jogadores existentes no plantel e tendo como foco a verdadeira aceitação, disponibilidade, empenhamento e sentido de pertença de todos, quer em jogo, mas também… nos treinos. Ser assertivo, visualizar e criar exercícios integradores e estar mais atento ao balneário, serão também aspetos a ter em conta. Não estamos em tempo de deixar atletas, que eventualmente desinteressados, rumam para outras atividades.

E, mesmo podendo estar a ser contraditório, gostava de dizer que não somos a favor que joguem porque… são jovens. Nada disso! É preciso que demonstrem empenho, interesse e motivação, embora, na nossa opinião, haja algo para fazer diferente, até porque, o polo aquático português precisa mesmo de aproveitar todos os que escolheram este aliciante desporto.

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