História do primeiro nadador português em Jogos Olímpicos

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Fui ao meu baú de recordações, encontrei uma história que deveria ser engraçada nos dias de hoje. Para se ter uma ideia do que era a natação portuguesa, na época, quando não havia piscinas, era praticada em docas rios e tanques…

Esta narrativa foi tirada do livro ‘Desportistas Almadense”, editada pelo meu saudoso amigo Henrique Mota.

Almada sempre foi um concelho farto manancial de belíssimos desportistas que muito bem valorizaram o Desporto Português.

Esta narrativa é uma realidade de um caso pouco vulgar de três irmãos terem sido justamente desportistas de um gabarito impressionante.

Eu apenas conheci e convivi com dois, porque todos foram nadadores e jogadores de Water-Polo.

Conheci o mais novo, o João Silva Marques, grande campeão e internacional quando eu nadava no Belenenses. Sobre a história deste nadador irei fazer no capítulo seguinte.

Mário Silva Marques, o mais velho dos três irmãos que eu o conheci, já treinava na SFUAP, numa jornada de convívio que o Círculo de Antigos Nadadores realizava anualmente em diversas piscinas do país, esta foi na piscina da Cova da Piedade.

Mário nasceu na Cova da Piedade, mesmo junto à piscina, em 23 de setembro de 1901. Uma pessoa que mostrava jovialidade, simpático e trato possível de quem tinha sido criado na Casa Pia. Ali se fez homem, desportistas e nadador no tanque do asilo no Restelo.

Nas primeiras provas em que participou foi em representação da Casa Pia Atlético Clube.

Na altura não havia piscinas. As provas eram realizadas nas docas e tanques. Tornou-se um campeão em várias provas nas quatro técnicas em diversas distâncias. Como era sabido na época, as técnicas não eram as mais perfeitas, não se nadava o crol, mariposa e bruços como hoje se nada. Na altura, as provas eram constituídas por distâncias em diversas técnicas, como por exemplo 800 estilos e 400 bruços.

Nos anos 21, era um vencedor incontestável nas provas de livres e bruços e participava em provas de resistência, 400 bruços e nos 800 estilos.

Em 1924, ano olímpico, Mário com outros nadadores foram entregues aos cuidados médicos do Dr. César de Melo, que no ginásio do seu consultório ministrava sessões físicas, como preparação para uma eventual participação nos Jogos Olímpicos em Paris. Mário começou a encarar a possibilidade de estar presente na grande competição como nadador nos 200 bruços. O Comité Olímpico estabeleceu o mínimo para a prova, o tempo de 3.20, marca muito longe do seu melhor, mas iria tentar. Na prova de seleção, disputada no tanque do Casa Pia, tão seu conhecido, realizou 3,21,15, novo recorde nacional.

Preparava-se meticulosamente para tentar conseguir o mínimo exigido. Nova tentativa: nada a sua prova favorita e o cronometro assinala 3,20,01. Novo recorde português e passaporte para os Jogos Olímpicos, o seu grande sonho é muito naturalmente o de todos os desportistas.

Na altura, comunicação social deu certo destaque, “Sport de Lisboa”, ler-se: Partiu no domingo passado para Paris no rápido das 8,30, conhecido nadador sr. Mário da Silva Marques, que como o único nadador selecionado vai tomar parte pelo nosso país na Vlll Olimpíada.

Jogos Olímpicos

No dia 3 de julho de 1924, a bandeira portuguesa desfila no Estádio de Colombes, em Paris. Os 36 homens que compõem a comitiva vivem o mais alto momento da sua vida desportiva. Os concorrentes sabiam que não iriam vencer, mas o essencial era estar presente na maior manifestação desportiva de todo o Mundo é o “nosso” Silva Marques. Osborne, campeão de belíssima compleição física, com 23 anos, era certamente o mais feliz de todos. No juramento olímpico, solenidade impressionante, sentiu que atingiu a meta favorita. Era um desportista realizado e imensamente feliz por ser o primeiro nadador português a esta presente em Jogos Olímpicos.

Participou na prova de 200 metros bruços, na quinta série. Estudioso que era da modalidade sabia perfeitamente que não tinha qualquer chance. Os tempos dos seus adversários eram melhores do que o seu, portanto, o vencedor foi Londres (Suécia), 3,03,5, 2′, Suas (Suíça), 3.3.35, segundo, o terceiro foi Heand (Nova Zelândia), 3,09. Mari classificou-se em sexto com 3,22,1. Nestes jogos, o nosso Mário confraternizou com o campeão olímpico americano Johnny Weissmuller, que venceu os 100 e 200 livres. Este mais tarde derivado a este feito se celebrizou com “Tarzan”.

Guardou o precioso diploma da sua participação, que está assinado pelo presidente do Comité Olímpico Internacional, Barão Pierre de Coubertin… num mostruário a onde se veem as medalhas mais importantes!

Em 1925, e convidado por um grupo de amigos de Belém, a fundar a secção de natação do Club Futebol “Os Belenenses”, aceita o honroso convite e na companhia de Vicente Ricardo Domingues e Manuel Augusto Florêncio inicia no popular clube uma modalidade que viria a frutificar, trazendo-lhe inúmeras glórias e larga expansão para a modalidade a natação do País.

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