José Vicente Moura – Presidente da mudança da natação portuguesa

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Hoje, quando rebuscava o meu baú de recordações, encontrei uma pessoa, que muito estamos ligados desde as nossas meninices quando dávamos as nossas primeiras braçadas, ele no seu clube de sempre Algés e eu dei o meu no Adicence.

Trata-se do José Vicente Moura, pessoa com um passado histórico no Movimento Associativo de Portugal. Mas, antes temos que saber, quem foi este senhor.

Comandante José Vicente Moura foi um destino oficial da Armada Portuguesa, desde muito novo ligado ao seu clube de coração, onde iniciou as suas primeiras braçadas como nadador e jogador de polo aquático, ex-dirigente do clube, ex-secretário geral da ANL, o mesmo cargo na Federação Português de Natação, em 1977, após a revolução do 25 de Abril. Era nesta fase presidente o Eng. Cavaleiro Madeira que tinha substituído Francisco Alves.

Lembrar que nesta altura foi quando começaram a reparar na natação portuguesa, onde se começou a obter algumas medalhas no estrangeiro, nos “Meetings” de grupos de idades, nos escalões mais novos.

De facto, essa era uma área onde os portugueses estavam mais à vontade a competirem por toda a Europa.

E porquê? Porque nos primeiros anos de prática da natação os jovens em Portugal tinham condições de algum modo semelhantes aos de outros nadadores europeus.

Aqui, o Eng. Cavaleiro Madeira também teve a sua cota importante deste ressurgimento de uma série de jovens que mais tarde foram relevantes na natação portuguesa.

Cinco anos volvidos, neste período, José Vicente Moura assumiu o cargo de vice-presidente. Até que em 1982 chegou ao topo da hierarquia, onde se manteve até 1990, altura em que suspendeu o mandato, para se ocupar de uma das mais prestigiantes cadeiras do dirigismo desportivo nacional, a presidência do Comité Olímpico de Portugal, cuja eleição refletiu, indubitavelmente, mais do  que a dedicação a uma causa, a sua competência e o seu jeito peculiar para reinar sem precisar de dividir, antes pelo contrário.

Como dirigente federativo foi o principal responsável pela organização em Lisboa, em 1982, do Congresso de Natação (Len), evento na altura de grande prestígio para a Federação Portuguesa de Natação, não só pela brilhante forma como decorreu, mas também pelo número (recorde) de países e entidades internacionais que nele estiveram presentes.

A realização, na piscina dos Olivais, em Lisboa, da Taça Latina de Natação, na época de Inverno de 1983, assinalou outra importante mudança qualitativa da nossa natação, não só pela relevância do evento desportivo, mas por ser passado a dispor da primeira e única piscina de 50 metros coberta e climatizada. Acresce a isso que para tal a FPN renovou tecnologicamente, passando a dispor de um instrumento para cronometragem e quadros eletrónicos.

Posteriormente, em 1985, sempre sob o signo de Vicente Moura, criou-se o Departamento Técnico da FPN, que passou a integrar o director-técnico nacional, o setor de formação, reformulado em 1984, e os diretores-técnicos das diversas disciplinas (natação competitiva, saltos para a água, de trampolim e alto voo, natação sincronizada e polo aquático) e, igualmente, se lançou o Gabinete Médico, que permitiu, ao nível interno, um importante salto qualitativo.

A publicação anual do ranking nacional e das circulares técnicas, substituídas, em 1988, pela revista “Natação”, foram outras das muitas iniciativas que não passaram despercebidas a todos aqueles que mais de perto acompanham a modalidade.

Ainda por influência de Vicente Moura, em 1985, relançou-se o polo aquático, a que se seguiu a ativação dos saltos para a água e da natação sincronizada no decorrer do ano de 1986.

Tudo isto afastou a natação portuguesa, na sua globalidade, da cauda da Europa em atividades desportivas. Mas, mais do que isso, permitiu o incremento, substancialmente, do número de nadadores filiados.

A elaboração de novos Estatutos e Regulamentos, a tradução das Regras da Federação Internacional de Natação Amadora (FINA) e a oficialização do quadro nacional de árbitros, que passaram a deslocar-se e a atuar em competições além-fronteiras, foram outras formas de atualizar procedimentos e conhecimentos.

Nesta sequência, a criação e o apoio monetário direto de diretores-técnicos regionais permitiu integrar esforços e consolidar o magnífico trabalho do Prof. José Sacadura, diretor-técnico nacional.

Outro ponto alto da vigência de Vicente Moura, como presidente da mudança, na FPN, prende-se com a transferência da sede do organismo máximo da modalidade, em 1988, do Arco Cego para as instalações, no Estádio Nacional, junto à piscina, cujo mudança se fez sem sobressaltos, graças ao facto de, em 1984, terem sido microfilmagens os arquivos da FPN.

Nesse mesmo ano se iniciou a informatização dos locais das provas nacionais  e internacionais disputadas no nosso País, acentuando-se, por todo o lado, a melhoria do quadro competitivo nacional, a institucionalização da Conferência  Nacional do Calendário, o controlo do treino na área médica desportiva, o apoio aos nadadores no campo da psicologia desportiva e assistência contínua de massagista, o planeamento específico para a alta competição que permitiu a obtenção de resultados técnicos, individuais e coletivos, de grande nível, destacando-se, neste ponto, o sétimo lugar de Alexandre Yokochi nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, na prova dos 200 metros bruços, e obtenção, na mesma disciplina, pelo referido nadador do Benfica do segundo e primeiro lugares, respetivamente, nas Universidades de Kobe (Japão) e Zagreb (ex-Jugoslávia), assim como o segundo lugar nos Europeus Absolutos de 1989.

Quanto a dinheiros, a FPN passou de um orçamento de 680 contos, em 1974, para mais de 65 mil contos em 1990, sobretudo para benefício do trabalho tantas vezes justamente oculto das associações regionais.

José Vicente Moura tem no seu currículo como comandante desta embarcação que é a FPN de ter no seu palmarés, de ter sido o primeiro presidente alcançar vitória internacionais no polo aquático em 1989.

Enfim este é um percurso que se calhar não fica por aqui, porque muito se tem por dizer sobre este Comandante, um verdadeiro nadador de águas abertas com muito folgo!

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