Lembrar Absolutos de 1986 nos Olivais

  •  
  •  
  •  
  •   
  •  

Alexandre Yokochi foi a figura mais marcante nos Nacionais, onde se marcaram vários recordes, indicativos dos progressos da natação em Portugal.

Para este êxito muito contribuiu todo o staf da FPN  liderado pelo comandante José Vicente Moura, porque o alto nível de resultados se deve à organização.

Foi uma grande chuvada de recordes, com cinco absolutos e dez de categorias, foi um fim de semana em cheio na Piscina dos Olivais, que constituíram motivo de júbilo para os amantes da modalidade, deixando perceber que o progresso é uma realidade que não deve deixar de ser incentivada.

Os nadadores mais qualificados de olhos postos nos Mundiais, a disputar ainda este mês em Madrid, esmeraram-se na competição e melhoraram substancialmente as suas performances.

No entanto há muito ainda para fazer porque, por agora, é possível reduzir o atraso que nos separa dos outros países. Se houver apoio, essa progressão não se perderá…

Quatro dias, oito sessões, recordes absolutos e de categorias, excelente na organização e razoáveis assistências, enfim todo um conjunto de fatores a fazerem dos Campeonatos Nacionais (categoria e absolutos) um certame de excelente nível como se esperava e desejava que acontecesse em vésperas dos Campeonatos Mundiais.

Está de parabéns a Federação Portuguesa que soube manter um excelente ritmo no desenrolar das provas e colmatar de forma inteligente os chamados tempo mortos.

Por sua vez, os nadadores com aspirações a participarem nos Mundiais esmeraram-se no sentido de obterem os tempos que garantissem essa qualificação. Estão neste caso João Santos, Vasco Sousa, Sérgio Esteves, Rui Borges, Alexandre Yokochi, Pedro Soares e Sandra Neves, os quais, em nosso entender, terão ocasião ainda antes de Madrid de não só confirmarem a boa forma apresentada como de a melhorarem, pois as suas metas não foram atingidas.

Bateram-se cinco recordes nacionais absolutos e 10 de categoria e um conjunto de resultados são bem a ideia do progresso que se regista na modalidade. Para este facto contribuíram bastante também os novos moldes em que a competição desenrolou, com sessões de manhã e de tarde, aquelas destinadas às categorias a obrigarem os nadadores a darem o seu melhor para a conquista do respetivo título, motivando-os para alcançarem lugar na disputa das finais absolutas.

Como consequência disso, aconteceu que alguns nadadores especialistas em determinados estilos ficaram pelo caminho, casos de Henrique Villaret e Diogo Madeira, ambos do Benfica. O primeiro, um “sprinter” nato, não se classificou na prova mais clássica do programa, os 100 livres, sendo nono classificado. O segundo nadador, um dos melhores especialistas do estilo mariposa, no hectómetro falhou por décimas a sua presença na final absoluta.

Em contrapartida, outros nadadores que pertenciam a categorias inferiores foram campeões absolutos, caso de Alexandra Carreira, da SFUAP, ainda juvenil, que foi campeã nas provas mais violentas do programa, os 400 estilos com uma excelente marca para a sua idade (14 anos) de 5.25,04.

Outros nomes em evidência nas camadas mais jovens foram, por exemplo, o brucista do Sporting, Pedro Coutinho, o portista José Meinedo, em costas, o madeirense Paulo Camacho, o juvenil do Algés Emílio Frischknecht. Referência honrosa ainda para as jovens Filipa Costa, Ana Conceição, Lisete Ruivo, Sônia Teixeira, Catarina Alves, Joana Arantes, Ana Raimundo e Carlos Ortigão, todas as suas melhores marcas pessoais nas provas em que participaram, o mesmo sucedendo no setor masculino em relação a Miguel Santos, Rui Sousa e Luís Barros. Dos grandes cometimentos dos nadadores mais cotados já aqui lemos em edições anteriores, mas nunca é demais realçar a excelente marca alcançada por Alexandre Yokochi nos 200 metros bruços (2.22.17) a dar-lhe o passaporte para os próximos Jogos Olímpicos.

Na derradeira jornada dos Campeonatos, a nadadora do Benfica, Sandra Neves, voltou a estar em evidência ao melhorar o seu recorde nacional absoluto e da categoria nos 200 mariposa, onde alcançou a marca de 2.23.05. A anterior era de 2.23,45, alcançado em agosto de 1985 em Barcelona. A equipa júnior do Benfica nos 4×100 livres venceu com 4.15.46, marca que passa a ser novo recorde nacional da categoria (o anterior pertencia a uma equipa do FCP com 4.21,25).

A hegemonia de cinco anos do FC Porto perdeu-se na piscina dos Olivais. Coletivamente, a grande deceção foi a equipa do FC Porto que durante cinco anos mantinha com supremacia a conquista de títulos nacionais absolutos e de categorias nestes campeonatos. Desta vez foi ultrapassado pelo seu máximo direto opositor, o Benfica. O Sporting, com respeito à época anterior, também subiu na conquista de títulos.

Distribuição dos títulos…

Categorias: Benfica (27), FC Porto (23), Algés (14), Sporting (13), Bombeiros dos Estofos (5), Fluvial (3), Sfuap (2), Club Tap (2) e Naval do Funchal (1).

Absolutos: Benfica (9), FC Porto (8), Algés (7), Sporting (4), Bombeiros dos Estofos (2), Sfuap e Fluvial (1)

Demonstração de saltos para a água

A Federação aproveitou a competição dos absolutos na piscina dos Olivais para uma demonstração de Saltos para a água. Pelo Clube de Natação de Torres Novas, que causou uma certa surpresa a muita gente, não se esperava de tão alto nível a sua classe de saltos para a água, modalidade há muito retirada das nossas piscinas e do próprio calendário da FPN. Esta escola, que tem apenas um ano, apresentou um trabalho de muito validade. Compete agora à Federação incentivar, dando-lhe o apoio que se impõe.

Com este e outros agrupamentos que venham a criar-se poderão tratar-se os campeonatos da modalidade. Esta escola é dirigida pelo prof. Jorge Belo e fez demonstrações de trampolim de três metros e da variante de alto voo da prancha de 10 metros. O público seguiu interessado a sua atuação e não lhe regateou aplausos que podem constituir um poderoso estímulo para futuras exibições…

IMG_20180508_134305_809

Comentários